Renova-te.
Renasce em ti mesmo.
Multiplica os teus olhos para verem mais.
Multiplica os teus braços para semeares tudo.
Destrói os olhos que tiveres visto.
Cria outros, para visões novas.
Destrói os braços que tiverem semeado,
Para se esquecerem de colher
Sê sempre o mesmo.
Sempre outro.
Mas sempre alto.
Sempre longe.
E dentro de tudo.Cecília Meirelles
Pode ser vergonhoso ou espantoso dizer isso, na verdade se torna vergonhoso diante do espanto das pessoas, mas na verdade não é possível que só eu pense ou já tenha pensado assim: nunca me excitei com poesias, poemas, etc. Pra mim é uma literatura como todas as outras, alguns são bonitos e outros não, alguns interessantes e reais e outros lunáticos, mas sempre, sempre os vi com receio devido à forma como são usados e divulgados. Pra mim poesia é clichê. E ninguém me conquista usando as palavras de terceiros, prontofalei.
Porém me agrada quando me identifico com algo que leio, pode ser com uma reportagem ou com um trecho de algum livro. Pode ser um artigo sobre moda ou maquiagem, mas pasmem, pode ser um poema !
Ontem aconteceu algo que jamais poderia acontecer. Tudo o que eu planejei, pensei, calculei, tudo aquilo que eu milimetricamente construí por um bom tempo, todos os meus planos, todo o meu castelo, era de cartas, era de areia, despencou, a onda levou.
Já estava tudo certo, era só vencer a burocracia. A burocracia da vida, da minha vida, sempre, presente, aqui, em meus planos. Não deveria ter confiado tanto, não deveria ter sido tão otimista, deveria já ter começado a me preparar psicologicamente pra algo que no fundo no fundo eu já sabia que iria acontecer, mas como todos sabem, eu sou um pooooço de determinação, tanto, que em certo ponto chega a ser teimosia, tolice - e por que não - burrice ?
Até porque, eu disse à Deus, a mim, a quem quisesse ouvir, que se não fosse dar 100% certo ( e eu não aceito margem de erro quando o que está em jogo depende de mim ) eu nem queria iniciar todo o processo, já que a estrada é longa, é difícil, é cheia de obstáculos e acima de tudo incerta. Mas a certeza vinha de mim, da minha mente, desde criança, essa certeza sempre veio de mim, então pra que diabos duvidar ?
Pois é. Pra muitas pessoas eu estou fazendo uma grande tempestade e até um dilúvio, a partir de um … copo d’água ? Nananinanão, pra mim foi um afogamento. Mas o pior nem foi isso, o “pior” está sendo a minha posição diante disto tudo.
Parei. Parei um dia. Parei hoje. Desliguei o nextel, desliguei o celular ( que sei que não irá parar até que eu explique tudo à todas as pessoas envolvidas, ou curiosas, com o quê - de fato - eu irei fazer da minha vida ), não abri sequer o e-mail. Não discuti com meus pais, não briguei comigo, nem dei com a minha cabeça na parede ( como de costume, ahaha ). Simplesmente parei pra pensar. Saí, caminhei, e talvez esta seja a primeira dificuldade que enfrento que não tenha a mínima vontade de contar nada a ninguém, não sinto vontade de desabafar, apesar de ser mulher eu não sou dramática, e em se tratando de alguns problemas mais sérios eu ajo da mesma forma que agi quando soube que estava gravemente doente: silêncio e planejamento. Isso me salvou, e talvez irá me salvar desta vez.
Já tinha cogitado esta possibilidade ruim algumas vezes, e neste ano este foi o ÚNICO motivo que me fez derramar aquelas lágrimas raras de mim, desespero, tristeza, angústia. Sempre fechei os olhos porque era uma coisa que não queria nem pensar, nem imaginar. Chorei em público, no ombro das minhas amigas, chorei na frente de um paciente da Clínica.
Não. Não me perguntem o porquê de tanta angústia, de tanto medo de isto acontecer, eu não sei, em nem conheço este mundo, nem conheço os detalhes, o making of desta vida que eu sempre quis ter. Seria um encanto ? Um interesse sobrenatural ? Ou seria teimosia, Raphaella ?
Sério, os leitores devem conhecer a expressão “sangue no olho” ? Na facul é “sanguenozóio” meeesmo, ahaha. Expressão que parece ter sido feita pra me descrever. Quando eu quero uma coisa, meeeeeeu amigo … ainda fico pensando nas coisas que fiz por uma possibilidade, por uma opinião otimista, por alguma frase que me esimulasse ainda mais. Mas não tem jeito, parece que tudo foi contra, e do jeito que eu comecei errado acabou errado. Mesmo assim eu quis recomeçar, eu quis fazer as coisas direito, e me foquei mais ainda, mais do que já estava, mais do que achei que pudesse.
O engraçado é que todo mundo que me conheceu, que me viu envolvida, até quem não simpatizava com o jeito que eu agia concordou que o fato de eu ter que “dar uma pausa” foi uma grande perda, não só para eles ( para quem eu dava aulas particulares ), quanto para os meus futuros pacientes.
Hoje quando me vêem pela São Judas, a turma do 2BFTN diz que de todo o nosso grupinho, eu sou a única que tem o dom, e que nasceu pra isso. Falam pra me agradar ? Não sei mais.
Já tinha decidido. Já tinha decidido que chega de bobagem, de dar murro em ponta de faca. TUDO o que é tão simples pra várias pessoas, pra mim se tornou uma batalha, uma guerra, uma luta contra tudo e todos, contra a maré de azar, TUDO o que jamais deu errado a ninguém deu pra mim, e eu estava decidida a começar a planejar o plano B, aquele que eu ainda me refiro com um ” ? ” no título do post. Este ponto de interrogação já era pra ser um ” ! ” há tempos !
Mas aí me convenceram a lutar mais. Como se tivesse feito pouco, me humilhado pouco, tentado pouco. Mas quando não estão em nossa pele é super normal. Tá, tá bom, lá fui eu de novo. E lá vem o balde de água fria de novo.
Maperaí ! Tem alguma coisa errada gente, não é possível ! Chega. Dessa vez eu nem chorei, nem briguei, nem discuti. Não questionei, nem contestei. Todos me falando um monte de coisas, todos me mostrando novos caminhos, já planejando por mim, pra mim, em meu lugar. Mas ninguém entende, de verdade, o que eu sinto. Isso é tão banal, né ? A todos isso é tão simples, tão chato, tão pesado. Pra mim era um sonho, algo que eu agradecia todas as vezes que estava lá, vivendo aquilo. Eu acho que já sabia que tudo isso não era pra mim, não era o meu lugar certo, por isso dava tanto valor.
Mas então … e agora ? Pois é … a pergunta que não quer calar … aquela que já me fizeram 3 vezes hoje, e eu … mais de mil. Sei o que quero: não quero isso de hoje. Eu quero mais, eu vou ter mais, eu mereço mais, isso ninguém precisa me dizer. O problema, é planejar, é renascer você, como o próprio poema diz. Isso não é nada fácil, esse poema … colocar em prática cada frase, cada palavra, é quase impossível pra mim neste momento ! Mas quando eu o li, quando eu o vi, me encantei, pelo fato de a minha mente estar tão racional diante de tantos nós, que nem eu mesma me reconheço.
Me reconheci foi estacada, conformada, por mais que minhas palavras digam o contrário, a minha vida mostra como estou. Parada. E este é o meu maior medo ever: parar. Não vou, não quero, não eu ! Sim, Cecília, eu preciso multiplicar meus olhos, não é possível que meus sonhos tenham morrido dentro de Caixas de Pandora, que nunca vi, que só materealizarei com fé. Nãão, isso é demais, se todos conseguem por que eu devo aceitar que seja tão difícil ? É. Destruirei os braços que semearam, e os olhos que tiverem visto.
Vou ser eu mesma, vou resgatar o que eu era, mas irei me resgatar para desta vez ser eu em outros caminhos. Ser outra ? Sim, serei eu, mas serei outra por estar em outro lugar, ou por me ver agora em outros lugares, em outros mares, em outras jornadas.
Eu viajo demais, né ? Talvez sim, mesmo. Talvez seja mais simples, talvez eu esteja complicando. Mas não vou abrir mão de quem eu quero ser. Serei outra, mas serei quem eu quero, aquela que almejo. É por isso que me sacrifico, que me privo de muitas coisas, é por isso que exijo de mim tanta disciplina.
Mas eu complico. Deve ser simples. Assim como aceitar sair com alguém, assim como marcar uma balada com os amigos. Não tem por que complicar, certo, Raphaella ? Sim. Eu estou errada, e isso me isola. Eu me odeio neste momento
Não tenho mais o que dizer. Não sinto nada. Tristeza, receio, medo … não sinto nada. E essa ausência de sentimentos e pensamentos hoje me acalma. Bem como a simplicidade e a serenidade com que Cecília Meirelles escreveu este poema. Como se isso fosse fácil, como se fosse básico, corriqueiro.
Me intriga, porém me consola.







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20.11.08 às 22:08 |

Sigh
Vocês sabem da minha paixão pelo CORAÇÃO como órgão, como símbolo, como carreira profissional ( quero ser Fisioterapeuta especializada em Cardiologia ), enfim, então eu amei !

!
.
.
): e se eu passar ? Será que eu vou me acomodar ? E a minha graduação ? E o meu sonho ?
, deu pra entender agora ?
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